Em meio a tragédia das chuvas que assolou Niterói em abril de 2010, percebemos que não poderíamos ficar indiferentes ao sofrimento de tantos irmãos e irmãs. Numa sociedade de indiferença, inércia e individualismo, decidimos remar contra a maré. Optamos por nos organizar coletivamente para assumir o desafio de fazer a diferença em nossa cidade, no Brasil e no mundo, sendo instrumentos conscientes e voluntários do amor de Deus. A Frente Inter-religiosa Fé em Movimento reúne jovens de coração e religiosos de todos os credos que compreendem a necessária relação entre fé e vida, entre espiritualidade e humanidade, entre amor pelo sagrado e compromisso com toda criação. Desta forma a vivência da fé leva ao compromisso com a justiça, com a paz, com a defesa e a preservação da vida e do meio ambiente. Sendo assim a fé se torna instrumento de luta contra toda forma de injustiça, de exploração, de violência e desagregação da vida.
O Fé em Movimento também compreende a necessidade de se atuar organizada e coletivamente. Entende-se que na força da comunhão, das mãos dadas e dos corações unidos se pode incidir com mais eficiência na sociedade. Além disso, a diversidade é fundamental para que o movimento seja criativo, dinâmico, repleto de possibilidades e trabalhe em si mesmo o valor da democracia e da pluralidade. Isto significa que rejeitamos o personalismo, o individualismo e caminhos que não passem pela construção coletiva. O movimento também se identifica pelo caráter inter-religioso, ou seja, pela presença de diversas religiões, culturas e filosofias, sem que os participantes precisem abrir mão de suas convicções. Nós valorizamos o diálogo, o respeito mútuo e alteridade, buscando a convergência de ação naquilo que é comum: a construção de uma sociedade justa e fraterna.
Não temos como pretensão nem como princípio substituir o poder público nas suas obrigações. Isto significa que, para muito além do assistencialismo, este movimento existe como mais uma organização da sociedade civil a fim de fiscalizar, acompanhar, pressionar, denunciar e exigir que o Estado cumpra com suas obrigações, conforme previsto na Constituição. Justamente por reconhecermos a universalidade dos direitos e a desigualdade inerente a esse sistema, o nosso objetivo é a defesa da justiça social e do direito dos mais pobres. Esta atuação sempre se dará de forma autônoma frente ao Estado, a partidos políticos e quaisquer outras organizações.
O Fé em Movimento também rejeita toda forma de fatalismo histórico, conformidade com realidades desumanas, imobilismo e desesperança. Isto significa que coletivamente salvamos a esperança em nossos corações e nos mantemos na luta por transformações efetivas na sociedade. É bem verdade que as condições objetivas da sociedade, tão marcadas pela injustiça e pela desigualdade, provocam tristeza, frustração e indiferença. Por isso, nos recusamos a seguir o caminho fácil da omissão. Com clareza das dificuldades, este movimento se organiza no sentido de resistir a uma lógica de vida desumana. Pensando globalmente buscará atuar localmente como pólo de reafirmação da esperança na construção da civilização do amor e da igualdade tão almejada pela nossa fé.
Niterói, 12 de março de 2011.
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